A falácia da prostituição

A falácia da prostituição

A falácia da prostituição consiste na romantização exarcebada da atividade. Poucas escolhem virar prostitutas tendo outras opções, e mesmo as que escolhem, lá no fundo estavam decepcionas ou frustradas em suas respectivas áreas de trabalho.

A grande verdade, é que, a grande maioria, nem sequer teve oportunidade de experimentar outra atividade que lhe permitisse um sustento digno.

Uma coisa é fazer sexo por gostar, por ter atração, outra, infinitamente diferente, é fazer sexo por dinheiro. Entregar o corpo a um desconhecido, trocar fluídos íntimos, beijos molhados e intermináveis horas a alguém que está pagando pelo prazer e pela companhia.

Se você é boa em mentir, se sente atração pelo sexo com um completo estranho, dará uma boa acompanhante. Mas de romântica e fácil, essa vida não tem nada! Lucrativa? Certamente sim. Promete um futuro brilhante? Não. É uma oportunidade curta, uma janela no tempo que se abre apenas enquanto se é bela, nova e formosa.

O futuro, para muitas é incerto. Como viver com dois mil se você ganhava trinta? Como criar filhos ou manter em dia o condomínio do apartamento de quatro quartos comprado durante os tempos de acompanhante?

O tempo é um inimigo que susurra desde o primeiro dia, cobrando a idade, o investimento e os planos para os próximos anos. Um conselheiro importuno, mas coitada daquela que o ignora, em um piscar de olhos, a beleza passa, os clientes acham outras, o dinheiro já não é mais farto e a vida já não é mais como de costume.

Talvez a única e possível verdade, seja a realidade, ser prostituta é sim um trabalho duro, mas talvez muito mais ameno do que a realidade de muitas. Algumas mulheres tem todas as oportunidades para o sucesso, outras, apenas nascem belas.

Dispondo apenas de beleza, nascidas em locais pouco privilegiados, sem acesso a cultura ou a boas oportunidades de trabalho, elas usam a única ferramenta disponível para alcançar um sonho distante.

E quem as culpa por querer algo melhor? Todos querem uma vida diferente, julgar a menina que não quis trabalhar em casa de família, sofrer com os abusos do patrão, ter que ceder sexo e limpar o quarto do menino mimado em troca de um salário mínimo, é a mais completa das tolices.

E as modelos? O que falar delas? Modelos normais já são lindas, mas virar TOP Model é para aquele um por cento delas. Para o resto é apenas uma mentira vendida na porta da escola. Ganhar de 10o a 300 reais por dia, para fotografar ou desfilar em feiras e eventos é o mais comum, o problema é que não tem feira todo o dia, quanto muito uma no mês.

Com vinte e dois anos, a menina que sonhava em ser modelo, já sabe que nunca será e nessas horas, homens dispostos a trocar sexo por dinheiro, propostas para um jantar ou viagens, não faltam.

Algumas aproveitam a juventude, a beleza, e cientes de que esse é um mercado passageiro, extraem tudo que podem da oportunidade, entram na faculdade, investem as somas ganhas em algo para assegurar o futuro, e tão rápido quanto entraram desaparecem, constituem família e abandonam a profissão, que outrora rendera tantos luxos.

Mas o que sobra para quem não fez planos e os colocou em prática desde o primeiro dia? Sobram os sonhos, as lembranças de uma vida farta, nada além de um curto passado! Uma médica, é médica para o resto da vida, uma advogada, é advogada para o resto da vida. Já a acompanhante, não pode ser prostituta para o resto da vida.

Então, se você já entrou nessa profissão, comece agora a preparar a sua saída. Se não entrou e pretende entrar, tenha ciência de que nem tudo são flores, entenda que o glamour é passageiro, que os barcos e carros nos quais você anda, não são seus e que a vida ostentada nas redes sociais é parte de uma atuação, é parte do seu passageiro trabalho.

Romantizar a prostituição é o mesmo que sonhar em ser modelo ou jogador de futebol. De todas as acompanhantes do Brasil, menos de um por cento delas tem mais de um milhão na conta, não por não terem ganho isso, mas sim por não terem sabido administrar seus recursos.

julho 28th, 2016|Blog, Eventos|0 Comments

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